Next: Rotações no plano e
Up: O operador diferencial
Previous: Exemplos e exercícios
Para entender por que certas combinações de derivadas, como o
divergente de um vetor, e o laplaceano de um escalar, são
importantes, é conveniente estudar um pouco o que acontece com um
vetor, e quantidades relacionadas a ele, quando se executa uma
rotação no sistema de eixos, passando de um triedro ortogonal a
outro. Na natureza não existem eixos, de maneira que qualquer base
que se utilize na descrição de quantidades físicas, só
pode ter um papel auxiliar, assim como o andaime auxilia na
construção de um prédio, mas é desnecessário para
descrever as propriedades do prédio. Deve-se, por isso, esperar que
as quantidades de real significado físico independam da escolha
de eixo de coordenadas, ou dependam dela de uma maneira muito simples.
Vamos iniciar por rotações muito simples: rotações planas.
A figura abaixo mostra um sistema de eixos no plano, formada por eixos
nas direções dos vetores unitários
e
,
ortogonais. O vetor
tem, nesses eixos, as componentes
e
, exibidas na figura. Passamos agora dos eixos iniciais para um
novo sistema, girado em relação ao primeiro de um ângulo
. Os novos eixos são nas direções dadas pelos vetores
e
, e são também ortogonais.
As componentes de
em relação aos novos eixos são
e
, mostradas na figura.
Vamos estabelecer as relações entre as componentes do vetor
no primeiro e no segundo sistemas de eixo. Elas são
comumente chamadas de fórmulas de transformação das
componentes de um vetor.
Embora seja possível obter essas fórmulas diretamente da
figura, vamos dar aqui uma dedução algébrica detalhada. O
vetor
pode ser expandido na base formada pelos vetores
e
, dando
 |
(11) |
Pode também ser expandido na base formada por
e
, dando
 |
(12) |
Por outro lado, os vetores
e
podem ser
expandidos na base formada por
e
, obtendo-se
Usando estes resultados em (11) temos, com (12),
duas expressões para
na base (
,
).
Igualando os coeficientes, obtemos
Note-se que
é um vetor que não tem nada de especial. Por isso, seja
um vetor qualquer, e sejam (
) suas componentes na base
(
) e (
) suas componentes
na base (
). Temos
As rotações têm uma propriedade especial que simplifica muito seu estudo:
são transformações contínuas. Isto quer dizer que uma rotação de um ângulo
finito, pode ser realizada por uma sucessão de um número enorme de
rotações muito pequenas, até mesmo infinitesimais. Muitas vezes, para provar uma determinada
propriedade das rotações, é suficiente prová-la, então, para rotações
infinitesimais. Vamos usar esta técnica primeiro para o caso que já estudamos,
rotações no plano. Depois, vamos, utilizando de novo esta técnica, passar ao
estudo das rotações infinitesimais em três dimensões.
Na eq.(15), tomemos o caso em que
é muito pequeno. Neste caso,
, e
, de maneira que
se obtém
Estas são as propriedades de transformação do vetor
sob uma
rotação infinitesimal.
Subsections
Next: Rotações no plano e
Up: O operador diferencial
Previous: Exemplos e exercícios
Henrique Fleming
2003-08-11