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A relação de Clausius-Mossotti é escrita
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Embora tenhamos sempre falado em átomos, a maior parte das substâncias
se organiza em moléculas, que são neutras e se polarizam, como os átomos.
Assim, a mesma fórmula vale também se
é o número de
moléculas por unidade de volume. Seja
a massa de uma molécula.
Multiplicando numerador e denominador por
temos, do lado direito,
o produto
, que é a massa por unidade de volume, ou seja, a
densidade
. Ao mesmo tempo aparece
, uma nova
constante, característica da molécula. Para dielétricos gasosos
diluídos, temos sempre
, de maneira que
e, então, a relação de Clausius-Mossotti se lê:
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que permite a determinação de
. Medindo-se a massa da
molécula pode-se, então determinar
, que, como vimos,
é aproximadamente
, sendo
o raio da molécula. No começo
do século Einstein propôs diversas maneiras de medir a massa de
moléculas (estudando o movimento browniano, por exemplo). Com isso,
então, pode-se determinar o raio delas. Para gases, temos a seguinte maneira:
1 mol de gás possui o número de Avogadro de moléculas,
Logo, a massa de uma molécula é dada por
Aqui usamos a convecção, proposta por Sommerfeld, de denotar o
número de Avogadro por
, em homenagem a Loschmidt, que foi a
primeira pessoa a medí-lo. Assim evitamos também o embaraço
de usar a letra
para duas coisas diferentes.
Clausius é bem conhecido, pelos seus trabalhos ligados à segunda lei
da termodinâmica. Mossotti se tornou conhecido por este trabalho. Sua
publicação, de 1850, tratava a molécula como uma esfera condutora!
O tópico que tratamos aqui encontra-se em quase todos os textos. É
um tema clássico. Não obstante, é raro achar-se um tratamento
adequado. O próprio Feynman é obscuro, neste ponto (sua dedução
é excessivamente artificial). O tratamento que seguimos é o de
Sommerfeld, do volume 3 de seu tratado de Física Teórica[1], que
é uma referência maravilhosa, cheia de notas históricas e
comentários interessantes, que dão vida à física1. E se a física
não tiver vida, terá o que, morte?
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Henrique Fleming
2002-04-20